o espírito da coisa


...

Estavam lá, na caixa de comentários, os parágrafos de Marisa A, que juntei e deu no texto abaixo.

 

Simples assim

 

Estava eu ali, me expondo à avaliação de uma banca num concurso pra uma vaga de professora, tentando adivinhar: o que pensam eles e elas sobre mim? Imagino que estão tentando descobrir: será ela uma marxista positivista? Uma marxista ortodoxa? Uma marxista racionalista? Uma marxista vulgar? Uma marxista dos novos temas e abordagens? Ou nenhuma delas. Sugiro: façam um mapa conceitual pra chegar ao esconderijo do tesouro. Nessas coisas de identidade, tem horas que até eu me perco de mim. Às vezes acho que sou uma marxista idealista surrealista. Marxista num plano teórico das ciências porque um historiador precisa investigar. Idealista no plano filosófico, onde descubro um mundo, construo e ressignifico idéias (quase sempre utópicas), isso porque um historiador precisa também pensar. Surrealista porque precisamos das artes para expressar idéias reais e irreais.

No plano geracional sou uma quarentona. No familiar, mãe, filha, irmã, avó, sobrinha etc. No plano étnico sou uma latino-americana descendente de europeus alemães e italianos. No regional sou brasileira sulista-nortista acreana amazônida. No político, uma petista frustrada e sonhadora (sem mais detalhes). Dizem que sou feminista. Não sei, só sei que machista não sou. No estético: só faço a unha quando tenho dinheiro pra isso. Pertenço ao grupo das separadas solteiras.

Enfim, sou como o eterno vir-a-ser de uma semente de Flamboiam. Diz Noberto Bobbio: “somos aquilo que lembramos” -e Ivan Izquierdo completa “...e aquilo que decidimos esquecer”. Como querer nem sempre é poder, não somos o que decidimos, mas o que conseguimos ser. Cada um dá o que tem. Simples, não?

 

 

Brevíssimo comentário

            Não acho nada simples. Apenas não sei como é que uma pessoa consegue ser tudo isso. Eu tenho dificuldade de andar e atender ao celular, não escuto música enquanto escrevo, nunca tentei assobiar e chupar cana. Não me lembro mais como é ser marxista. Vou levar dez anos pra aprender a ser um cinquentão, e aí já terei sessenta. Tudo bem, estou sempre atrasado, mesmo. E pertenço ao grupo dos que não pertencem a grupos. O problema é que a tal identidade é uma capacidade, que para mim se torna cada vez mais difícil, de ser idêntico a si mesmo. Porque já não sei por onde anda si mesmo, estava aqui ind’agorinha. Me lembro apenas de ter dito, alguma vez, não sei quando, que eu era muito distraído mas um dia me distraí. Ou coisa parecida. Sei lá, acho que tem momentos em que a gente fica sem tempo até pra vi-a-ser, quanto mais pra ser. Mas de uma coisa não esqueci, também concordo: cada um dá o que tem. E quem não tem, tira.

            Agora espero a contribuição de outr_s leitor_s. O problema dos blog costuma ser a proliferação de anônimos. O espírito da coisa é, ao contrário, a explosão de identidades.



Escrito por Antonio Alves às 16h59
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brevidades

de passagem

 

            Fui a Brasília para uma reunião no IPHAN, e foi muito bom saber que há vida inteligente em regiões remotas do governo, resistindo apesar dos poucos recursos. Na volta parei em Porto Velho para um debate no Festival de Cinema Ambiental –Festcine- que já entrou no calendário brasileiro de cinema e vídeo, muito bom e heroicamente realizado em Rondônia, terra em que ambientalistas enfrentam dificuldade em dobro. Não consigo imaginar como é morar em Porto Velho e ser contra as hidrelétricas no rio Madeira.

            De volta ao velho novo Acre, administrando o cansaço da viagem e umas tantas reuniões, seminários e oficinas. Querendo parar pra escrever, pensar, conversar com o silêncio. Ando com tantos pensamentos que já não sei se atravesso as ruas ou se elas me atravessam. Marx anunciou um tempo em que “tudo que é sólido desmancha no ar”. Agora sinto que o próprio ar se desmancha em algo mais sutil. Tudo que é identidade se esquiva, retrai, oculta e escapa. Ser é apenas sendo. Zé Leite dizia que no Acre “o provisório é definitivo”, mas desconfio que isso é só o começo e que talvez não tenha fim.

            Dois dias seguidos na Terra, é do que preciso.



Escrito por Antonio Alves às 19h46
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!

Ôba, ôba, Obama

 

"A lua foi alcançada afinal

 Muito bem

 Confesso que estou contente também".

                                                            (Gilberto Gil - Lunik 9)

 

 



Escrito por Antonio Alves às 17h00
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transgenias

É assim que acontece

 

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, se disse "decepcionado" com a venda das empresas brasileiras de biotecnologia Alellyx e Canavialis para a americana Monsanto. "Não sei quanto a Votorantim colocou nessas empresas ao longo desses anos, mas o setor público colocou muito dinheiro", disse Rezende. "A venda para qualquer grupo estrangeiro é decepcionante". Segundo Rezende, a Finep aprovou R$ 49,4 milhões em subvenção econômica para pesquisas nas empresas nos últimos três anos - dos quais R$ 6,4 milhões já foram desembolsados. "São duas empresas que receberam investimentos do governo e, justo quando esse investimento estava amadurecendo, foram vendidas por um preço bastante módico", disse.

(OESP, 5/11, Negócios, p.B17)



Escrito por Antonio Alves às 14h27
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